Ensino superior e formação de pessoas

O Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre o apagão de mão de obra qualificada no Brasil. Segundo as reportagens, o Brasil criou entre 2001 e 2010 em torno de 18 milhões de empregos com carteira assinada, o que sinalizou o início de um circulo virtuoso.

Todavia, a criação das vagas deparou-se com um problema grave: a falta de mão de obra qualificada. Segundo os empregadores entrevistados, para preencher uma vaga era necessário em média entrevistar 10 pessoas. Hoje é preciso em média entrevistar 80 pessoas. Há casos em que as vagas não são preenchidas em função dos requisitos exigidos.

Há um descompasso entre as competências e habilidades das pessoas e as qualidades mínimas que o empregador exige. O fato é que há um desencontro entre a escola e o trabalho. As instituições de ensino não acompanharam as necessidades do mercado. Isso acontece em todos os níveis de educação. O Brasil carece de gente preparada, o que é um problema grave se temos a pretensão de continuar com níveis adequados de crescimento da economia.

Não há referências, no mundo, de países que mantiveram seus índices de desenvolvimento sem altos padrões de educação. O crescimento não é sustentável sem ensino qualificado. No dia 14 de agosto, o MEC publicou os resultados do Ideb (Índice de desenvolvimento da Educação Básica) de 2011. Os resultados demonstram que os alunos do ensino médio apresentaram desempenho semelhante aos de 2009, o que aponta uma estagnação.

No que se refere ao ensino superior, a reportagem do Jornal Nacional afirma que houve um avanço da quantidade, mas não da qualidade. A reportagem lançou uma pergunta: que tipo de educação queremos? Não tenho dúvida de que ampliar o acesso foi e continuará sendo uma estratégia, uma vez que os indicadores de matricula no ensino superior no Brasil continuam baixos, quando comparados aos países desenvolvidos.

O repórter José Roberto Burnier entrevista o professor José Pastore da USP. Para Pastore, de um lado, há IES de má qualidade, do outro, há alunos interessados somente no diploma. Essa constatação drástica não pode ser generalizada, quando pensamos no sistema de educação superior. Entretanto, é um problema que precisa ser discutido.

O fato é que as IES precisam assumir o compromisso com a formação qualificada das pessoas. Não podemos admitir, segundo a reportagem, que 38% dos alunos que terminam o ensino superior não estejam plenamente alfabetizados. O ensino superior tem que exercer o seu papel e colaborar com o crescimento sustentável do país.

Sabemos que a sociedade do conhecimento, as novas tecnologias, a mudança do perfil dos estudantes que chegam no ensino superior, as exigências do mercado de trabalho, a sociedade em rede e globalizada requerem mudanças de estratégias por parte dos gestores das IES.

É obvio que termos como expansão, financiamento, evasão e sustentabilidade financeira precisam estar na pauta das estratégias de nossos gestores. Entretanto, há questões que são essenciais. Por exemplo, não combateremos a evasão se não modificarmos as metodologias de ensino e o currículo, se não instigarmos o empreendedorismo e o uso da tecnologia e da inovação. Dificilmente conseguiremos aumentar a empregabilidade de nossos alunos se não dialogarmos com os empregadores. Teremos dificuldades de realizar mudanças estratégicas em nossas IES se o perfil de liderança não for mais empreendedor.

Durante o 14o. FNESP teremos uma mesa de discussão com o tema: “Como fortalecer a relação IES – empresa? A necessidade do diálogo para elaboração de projetos comuns, para a melhoria da qualidade e para a ampliação da empregabilidade”. A discussão irá apresentar o resultado de uma pesquisa realizada na região de Campinas com gestores de IES e empregadores. Será que há sintonia entre o perfil do egresso que formamos e o que as empresas buscam?

A ideia da pesquisa nasceu de uma parceria entre SEMESP e FIESP. A mesa contará com participação de Thiago Pêgas, diretor do SEMESP, Sylvio Alves de Barros Filho, Diretor de Ação Regional da FIESP e Maria Aparecida Toledo, Diretora de Planejamento do Instituto de Pesquisa Toledo e Associados.

Paralelamente, na revista Exame, edição 1020, do mês de julho, há uma reportagem com o título “Nem parece Harvard”. Na revista Você S/A de agosto, há uma reportagem com o título “O Segredo de Babson”. Em ambas as reportagens o tema central é empreendedorismo e inovação, que são os temas centrais do 14º FNESP. Babson College é apresentado como referência mundial na formação de empreendedores e teremos representantes da universidade durante o Fórum.

O SEMESP propõe através do FNESP a discussão de temas contemporâneos, que estarão na pauta de nossas reuniões estratégicas nos próximos anos. As reportagens demonstram que há sintonia entre os temas e as melhores referências do ensino superior. O Fórum cumpre seu papel de informar, formar e proporcionar momentos de discussão dos líderes do ensino superior no Brasil.

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Sobre Fábio José Garcia dos Reis

Diretor de Operações do Centro Universitário Salesiano de São Paulo na Unidade de Lorena. Visiting Scholar no Boston College (2010), coordenador do Curso de Gestão Universitária do UNISAL, autor de artigos e livros e especialista em tendências da educação superior, doutor em História Social pela USP.

Publicado em 17 de agosto de 2012, em 14º FNESP e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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