Estilo de governança e gestão da Universidade de Warwick

No dia 20 de setembro, no 14o FNESP, acontecerá a palestra do senhor Koen Lamberts, “Deputy Vice-Chancellor” da Universidade de Warwick. O tema será:  “Como transformar a sua IES em uma instituição empreendedora”. É provável que muitos gestores do Brasil não conheçam a experiência da universidade. A palestra será uma oportunidade para que possamos interagir com um representante de uma instituição que reorganizou seu modelo de governança e gestão.

A Universidade de Warwick iniciou suas atividades em 1965, com 450 estudantes de graduação. Está localizada no município de Conventry, que fica a 150 km de Londres.  É uma instituição pública, com anuidades a partir de 3,375 libras, para estudantes britânicos, e 12.325 libras, para estudantes que não são da comunidade europeia.

Para os dirigentes públicos e privados do Brasil, entender o modelo de governança e gestão das universidades britânicas não é fácil, pois os parâmetros de organização das universidades são diferentes. Uma universidade pública pode cobrar anuidades, estabelecer contratos com o setor produtivo, comercializar serviços e fazer negócios. O contrato com os dirigentes e professores também não garantem a estabilidade do emprego, algo que a legislação brasileira garante. Os gestores e os professores são cobrados por resultados administrativos e acadêmicos.

Em 2010, Warwick tinha 22,648 estudantes sendo que 6.088 eram estrangeiros. A instituição declara em sua visão estratégica que até 2015 quer tornar-se uma “world-class university” e firmar-se entre as 50 melhores universidades do mundo. Segundo o ranking da Times Higher Education de 2011, Warwick está em 157oº lugar.

A universidade definiu em seu planejamento estratégico que será uma instituição com vínculos com os stakeholders, em especial com os setores de negócios e indústria, que irá  incentivar o empreendedorismo, o espírito inovativo, o rigor acadêmico de seus cursos e o foco em métodos de ensino que privilegiem a experiência dos estudantes, a excelência na pesquisa e no ensino, a sustentabilidade financeira, a internacionalização e a cooperação com a região em que está inserida e com Reino Unido, nas dimensões  acadêmica, cultural e econômica. Houve críticas ao modelo de governo da universidade, que na interpretação tradicional, Warwick poderia “perder a alma da universidade”.

Foi durante o mandato de Sir Brian Follett, como Vice-Chanceler (1992-2000), que as mudança no estilo de governança e o avanço do espírito empreendedor foram mais evidentes. A universidade tornou-se um case de sucesso internacional nos estudos de Burton Clark. Ele pesquisou instituições empreendedoras e estilos de boa governança. Clark estudou Warwick nos livros “Creating Entrepreneurial Universities” e “Sustaining Change in Universities”.

Micheal Shattock, que participou do grupo de governo de Sir. Brian, declara que, para universidade, a “melhor defesa é o ataque” e, por isso, foi preciso assumir riscos. Para Shattock, a ousadia de Warwick tornou-a um modelo contemporâneo de universidade, que adotou atitudes como: a) reforço da gestão administrativa e qualificação da liderança; b) incentivo a todos setores da universidade para que assumam atitudes empreendedoras  e ofereçam  serviços educacionais e programas de extensão; c) estímulo ao coração acadêmico, para que os professores organizem novos empreendimentos e relacionamentos com o setores produtivos; d) mentalidade empresarial que integre a universidade com os as empresas e fomente a produção de conhecimento, e) busca de novas formas de financiamento para viabilizar a sustentabilidade e as pesquisas.

Nas universidades britânicas, o Vice-Chanceler ocupa uma função estratégica. Ele é o responsável pelos resultados acadêmicos e administrativos e deve garantir a eficiência financeira da instituição. São exigidas das pessoas que ocupam a função habilidades como: atitude empreendedora, visão estratégica, contínuo relacionamento com as instituições públicas e privadas, captação de recursos, capacidade de liderança e tolerância, de implementação do projeto institucional e da metas institucionais.

A ousadia dos dirigentes de Warwick não é comum quando temos como referência o estilo de governança das universidades europeias e latino americanas. Para Sir. Brian, era necessário estimular o coração acadêmico e a receita era simples: “incentivar todos os setores da universidade para olhar para fora, para possíveis oportunidades e estabelecer participação nos lucros”. Os dirigentes deveriam estimular “cada setor para maximizar o volume dos negócios, criar mecanismos de gestão que não confundem virtudes acadêmicas com virtudes financeiras”.

A universidade tem uma estrutura para atender alunos, professores e visitantes. Há lojas, supermercados, bancos, lavanderias, salão de cabeleireiros, agências de viagens, cafeterias, restaurantes, bares, centros de esportes e entretenimento durante as noites, como cinemas, teatros e concertos de músicas. As residências de estudantes estão próximas às salas de leitura, laboratórios de informática e bibliotecas.

O modelo de governança privilegia a liderança profissionalizada, o planejamento estratégico e um conjunto de indicadores que garantem a transparência da gestão. A universidade de Warwick tem um código de prática de governança corporativa que pode ser referência para as universidades brasileiras.

A instituição é pública e inglesa, todavia, podemos apreender com a ousadia das mudanças realizadas em Warwick. Como podemos estimular o coração acadêmico de nossas IES? Como podemos maximizar os nossos negócios? Há questões que o senhor Koen Lamberts poderá nos ajudar a responder.

 

 

 

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Sobre Fábio José Garcia dos Reis

Diretor de Operações do Centro Universitário Salesiano de São Paulo na Unidade de Lorena. Visiting Scholar no Boston College (2010), coordenador do Curso de Gestão Universitária do UNISAL, autor de artigos e livros e especialista em tendências da educação superior, doutor em História Social pela USP.

Publicado em 11 de setembro de 2012, em 14º FNESP, Sessão 3 e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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