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SingularIity University: um novo modelo de universidade

No Brasil, quando pensamos no conceito universidade, de acordo com a legislação, precisamos fazer referência ao percentual de professores mestres e doutores, ao percentual de professores com tempo integral e, recentemente, aos cinco programas de strito sensu. O Brasil é provavelmente um dos poucos países do mundo que estabelece percentuais e quantidade de programas de strito sensu.

A Singularity University está no Vale do Silício na Califórnia e funciona no Nasa Research Park Campus, que é um centro de pesquisa da Nasa focado em inovação e tecnologia. A Nasa é uma parceira e não possui vínculos formais de gestão. Todavia há vínculos de apoio a pesquisa e aos programas acadêmicos desenvolvidos pela universidade.

Os programas da Singularity são temáticos basados nas novas tecnologias exponenciais como robótica, inteligência artificial, biotecnologia, nanotecnologia, neurociência, infotecnologia, pesquisas espaciais, etc. Os estudantes aplicam essas tecnologias para resolver os grandes problemas da humanidade, por exemplo: energia, educação, pobreza, comida, clima, entre outros. Se os programas são temáticos, o currículo é totalmente interdisciplinar e focada na experimentação.

A instituição, sem fins lucrativos, nasceu em 2009 para colaborar com a vida humana e com a sociedade. De acordo com seus fundadores, a Singularity University não terá sentido se não buscar continuamente formas de melhoria da vida em sociedade. Os fundadores entendem que a pesquisa em tecnologia é um dos mecanismos para melhorar a vida do homem.

A universidade declara que oferece aos seus alunos uma aprendizado experimental que contribua com a formação de líderes empreendedores capazes de buscarem soluções tecnológicas e criarem novos produtos, serviços em beneficio da sociedade. O foco é a disrupção tecnológica e a inovação.

A Singularity oferece programas de pós-graduação de 10 semanas que custam em torno de U$ 25,000, por pessoa. O valor incluí hospedagem e alimentação. Os programas executivos de 4 a 7 dias custam entre U$ 7,000 e 12,000. A instituição possui parceria com diversas empresas do Vale do Silício, como Google, Cisco e Autodesk. Há visitas técnicas durante os programas. Da universidade já foram criadas algumas empresas iniciadas pelos estudantes, que são estimulados a trabalhar em grupo.

A Singularity University faz pesquisa e é reconhecida pela sua capacidade de inovação. A instituição demonstra que para ser uma universidade não é necessário uma série de normas que burocratiza o conceito de universidade. A pesquisa e a inovação não estão necessariamente nos programas de strito sensu.

No 14o. FNESP, a palestra de abertura foi de José Cordeiro, professor da Singularity University. O tema foi “Inovação para a transformação e competitividade no ensino superior”. Não há muitas alternativas para os gestores de IES. A inovação na organização e concepção acadêmica e administrativa é necessário para que possamos estar sintonizado com os desafios do século XXI. José Cordeiro nos ajudou a visualizar alguns caminho para nossas IES.

 

 

 

Estilo de governança e gestão da Universidade de Warwick

No dia 20 de setembro, no 14o FNESP, acontecerá a palestra do senhor Koen Lamberts, “Deputy Vice-Chancellor” da Universidade de Warwick. O tema será:  “Como transformar a sua IES em uma instituição empreendedora”. É provável que muitos gestores do Brasil não conheçam a experiência da universidade. A palestra será uma oportunidade para que possamos interagir com um representante de uma instituição que reorganizou seu modelo de governança e gestão.

A Universidade de Warwick iniciou suas atividades em 1965, com 450 estudantes de graduação. Está localizada no município de Conventry, que fica a 150 km de Londres.  É uma instituição pública, com anuidades a partir de 3,375 libras, para estudantes britânicos, e 12.325 libras, para estudantes que não são da comunidade europeia.

Para os dirigentes públicos e privados do Brasil, entender o modelo de governança e gestão das universidades britânicas não é fácil, pois os parâmetros de organização das universidades são diferentes. Uma universidade pública pode cobrar anuidades, estabelecer contratos com o setor produtivo, comercializar serviços e fazer negócios. O contrato com os dirigentes e professores também não garantem a estabilidade do emprego, algo que a legislação brasileira garante. Os gestores e os professores são cobrados por resultados administrativos e acadêmicos.

Em 2010, Warwick tinha 22,648 estudantes sendo que 6.088 eram estrangeiros. A instituição declara em sua visão estratégica que até 2015 quer tornar-se uma “world-class university” e firmar-se entre as 50 melhores universidades do mundo. Segundo o ranking da Times Higher Education de 2011, Warwick está em 157oº lugar.

A universidade definiu em seu planejamento estratégico que será uma instituição com vínculos com os stakeholders, em especial com os setores de negócios e indústria, que irá  incentivar o empreendedorismo, o espírito inovativo, o rigor acadêmico de seus cursos e o foco em métodos de ensino que privilegiem a experiência dos estudantes, a excelência na pesquisa e no ensino, a sustentabilidade financeira, a internacionalização e a cooperação com a região em que está inserida e com Reino Unido, nas dimensões  acadêmica, cultural e econômica. Houve críticas ao modelo de governo da universidade, que na interpretação tradicional, Warwick poderia “perder a alma da universidade”.

Foi durante o mandato de Sir Brian Follett, como Vice-Chanceler (1992-2000), que as mudança no estilo de governança e o avanço do espírito empreendedor foram mais evidentes. A universidade tornou-se um case de sucesso internacional nos estudos de Burton Clark. Ele pesquisou instituições empreendedoras e estilos de boa governança. Clark estudou Warwick nos livros “Creating Entrepreneurial Universities” e “Sustaining Change in Universities”.

Micheal Shattock, que participou do grupo de governo de Sir. Brian, declara que, para universidade, a “melhor defesa é o ataque” e, por isso, foi preciso assumir riscos. Para Shattock, a ousadia de Warwick tornou-a um modelo contemporâneo de universidade, que adotou atitudes como: a) reforço da gestão administrativa e qualificação da liderança; b) incentivo a todos setores da universidade para que assumam atitudes empreendedoras  e ofereçam  serviços educacionais e programas de extensão; c) estímulo ao coração acadêmico, para que os professores organizem novos empreendimentos e relacionamentos com o setores produtivos; d) mentalidade empresarial que integre a universidade com os as empresas e fomente a produção de conhecimento, e) busca de novas formas de financiamento para viabilizar a sustentabilidade e as pesquisas.

Nas universidades britânicas, o Vice-Chanceler ocupa uma função estratégica. Ele é o responsável pelos resultados acadêmicos e administrativos e deve garantir a eficiência financeira da instituição. São exigidas das pessoas que ocupam a função habilidades como: atitude empreendedora, visão estratégica, contínuo relacionamento com as instituições públicas e privadas, captação de recursos, capacidade de liderança e tolerância, de implementação do projeto institucional e da metas institucionais.

A ousadia dos dirigentes de Warwick não é comum quando temos como referência o estilo de governança das universidades europeias e latino americanas. Para Sir. Brian, era necessário estimular o coração acadêmico e a receita era simples: “incentivar todos os setores da universidade para olhar para fora, para possíveis oportunidades e estabelecer participação nos lucros”. Os dirigentes deveriam estimular “cada setor para maximizar o volume dos negócios, criar mecanismos de gestão que não confundem virtudes acadêmicas com virtudes financeiras”.

A universidade tem uma estrutura para atender alunos, professores e visitantes. Há lojas, supermercados, bancos, lavanderias, salão de cabeleireiros, agências de viagens, cafeterias, restaurantes, bares, centros de esportes e entretenimento durante as noites, como cinemas, teatros e concertos de músicas. As residências de estudantes estão próximas às salas de leitura, laboratórios de informática e bibliotecas.

O modelo de governança privilegia a liderança profissionalizada, o planejamento estratégico e um conjunto de indicadores que garantem a transparência da gestão. A universidade de Warwick tem um código de prática de governança corporativa que pode ser referência para as universidades brasileiras.

A instituição é pública e inglesa, todavia, podemos apreender com a ousadia das mudanças realizadas em Warwick. Como podemos estimular o coração acadêmico de nossas IES? Como podemos maximizar os nossos negócios? Há questões que o senhor Koen Lamberts poderá nos ajudar a responder.

 

 

 

Ensino superior e formação de pessoas

O Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre o apagão de mão de obra qualificada no Brasil. Segundo as reportagens, o Brasil criou entre 2001 e 2010 em torno de 18 milhões de empregos com carteira assinada, o que sinalizou o início de um circulo virtuoso.

Todavia, a criação das vagas deparou-se com um problema grave: a falta de mão de obra qualificada. Segundo os empregadores entrevistados, para preencher uma vaga era necessário em média entrevistar 10 pessoas. Hoje é preciso em média entrevistar 80 pessoas. Há casos em que as vagas não são preenchidas em função dos requisitos exigidos.

Há um descompasso entre as competências e habilidades das pessoas e as qualidades mínimas que o empregador exige. O fato é que há um desencontro entre a escola e o trabalho. As instituições de ensino não acompanharam as necessidades do mercado. Isso acontece em todos os níveis de educação. O Brasil carece de gente preparada, o que é um problema grave se temos a pretensão de continuar com níveis adequados de crescimento da economia.

Não há referências, no mundo, de países que mantiveram seus índices de desenvolvimento sem altos padrões de educação. O crescimento não é sustentável sem ensino qualificado. No dia 14 de agosto, o MEC publicou os resultados do Ideb (Índice de desenvolvimento da Educação Básica) de 2011. Os resultados demonstram que os alunos do ensino médio apresentaram desempenho semelhante aos de 2009, o que aponta uma estagnação.

No que se refere ao ensino superior, a reportagem do Jornal Nacional afirma que houve um avanço da quantidade, mas não da qualidade. A reportagem lançou uma pergunta: que tipo de educação queremos? Não tenho dúvida de que ampliar o acesso foi e continuará sendo uma estratégia, uma vez que os indicadores de matricula no ensino superior no Brasil continuam baixos, quando comparados aos países desenvolvidos.

O repórter José Roberto Burnier entrevista o professor José Pastore da USP. Para Pastore, de um lado, há IES de má qualidade, do outro, há alunos interessados somente no diploma. Essa constatação drástica não pode ser generalizada, quando pensamos no sistema de educação superior. Entretanto, é um problema que precisa ser discutido.

O fato é que as IES precisam assumir o compromisso com a formação qualificada das pessoas. Não podemos admitir, segundo a reportagem, que 38% dos alunos que terminam o ensino superior não estejam plenamente alfabetizados. O ensino superior tem que exercer o seu papel e colaborar com o crescimento sustentável do país.

Sabemos que a sociedade do conhecimento, as novas tecnologias, a mudança do perfil dos estudantes que chegam no ensino superior, as exigências do mercado de trabalho, a sociedade em rede e globalizada requerem mudanças de estratégias por parte dos gestores das IES.

É obvio que termos como expansão, financiamento, evasão e sustentabilidade financeira precisam estar na pauta das estratégias de nossos gestores. Entretanto, há questões que são essenciais. Por exemplo, não combateremos a evasão se não modificarmos as metodologias de ensino e o currículo, se não instigarmos o empreendedorismo e o uso da tecnologia e da inovação. Dificilmente conseguiremos aumentar a empregabilidade de nossos alunos se não dialogarmos com os empregadores. Teremos dificuldades de realizar mudanças estratégicas em nossas IES se o perfil de liderança não for mais empreendedor.

Durante o 14o. FNESP teremos uma mesa de discussão com o tema: “Como fortalecer a relação IES – empresa? A necessidade do diálogo para elaboração de projetos comuns, para a melhoria da qualidade e para a ampliação da empregabilidade”. A discussão irá apresentar o resultado de uma pesquisa realizada na região de Campinas com gestores de IES e empregadores. Será que há sintonia entre o perfil do egresso que formamos e o que as empresas buscam?

A ideia da pesquisa nasceu de uma parceria entre SEMESP e FIESP. A mesa contará com participação de Thiago Pêgas, diretor do SEMESP, Sylvio Alves de Barros Filho, Diretor de Ação Regional da FIESP e Maria Aparecida Toledo, Diretora de Planejamento do Instituto de Pesquisa Toledo e Associados.

Paralelamente, na revista Exame, edição 1020, do mês de julho, há uma reportagem com o título “Nem parece Harvard”. Na revista Você S/A de agosto, há uma reportagem com o título “O Segredo de Babson”. Em ambas as reportagens o tema central é empreendedorismo e inovação, que são os temas centrais do 14º FNESP. Babson College é apresentado como referência mundial na formação de empreendedores e teremos representantes da universidade durante o Fórum.

O SEMESP propõe através do FNESP a discussão de temas contemporâneos, que estarão na pauta de nossas reuniões estratégicas nos próximos anos. As reportagens demonstram que há sintonia entre os temas e as melhores referências do ensino superior. O Fórum cumpre seu papel de informar, formar e proporcionar momentos de discussão dos líderes do ensino superior no Brasil.

Babson College e a cultura empreendedora

No dia 20 de setembro, durante a segunda sessão do 14º FNESP, os participantes contarão com uma mesa de discussão sobre empreendedorismo. Sem dúvida, o tema tornou-se estratégico para as nossas IES.

Os gestores de centros universitários sabem que é preciso fortalecer as atitudes empreendedoras na perspectiva da instituição, bem como na formação de seus estudantes. Pensando nisso, o debate contará com a presença de Flávia Feitosa, Diretora de Pós-Graduação e Extensão do Centro Universitário SENAC e do professor Joel Shulman, do Babson College, dos Estados Unidos.

Flávia Feitosa, do SENAC

Conhecemos e não temos dúvidas de que o SENAC é uma instituição com características empreendedoras e sabemos que Flávia Feitosa irá colaborar para a formação dos participantes, ao relatar sobre a experiência empreendedora desse importante Centro Universitário. Todavia, gostaria de apresentar o Babson College, pois poucos são os que o conhecem no Brasil.

Logo que acessamos a sua página na web (www.babson.edu), nos deparamos com um convite do Babson College para definirmos “o que é empreendedorismo?”. A instituição instiga os que visitam o seu site a participar do debate, demonstrando o seu foco institucional, pois logo nesse primeiro contato com a IES somos estimulados a pensar sobre empreendedorismo. Além de outras palavras e expressões que podem ser encontradas nos diversos campos do site e que remetem ao assunto: ação e atitude; método ativo de aprendizado e ensino; sala de aula como laboratório de experimentação; problemas do mundo real; mudanças de comportamento; foco nos negócios e na sociedade.

É evidente que a cultura empreendedora não é uma intenção transformada em discursos e textos na internet. As pessoas que trabalham em Babson (gestores, professores e colaboradores) sabem que o foco da instituição é a formação de empreendedores. Portanto, a concepção do empreendedorismo não está presente em um, dois ou três projetos, mas sim, na web, nos projetos institucionais e de curso, nos currículos, nos centros de pesquisa e inovação, na formação de pessoas, bem como nas diversas ações que o Babson desenvolve.

A instituição foi fundada em 1919 por Roger Babson e que no seu início contava com 27 estudantes. Em 1972, o Babson College começou a oferecer cursos de formação executiva de empreendedores. Em 1978, fundou o seu primeiro Centro de Estudos de Empreendedorismo e a partir daí, iniciou uma trajetória marcada pela institucionalização da cultura empreendedora.

Joel Shulman, do Babson College

Hoje, Babson conta com cerca de 2 mil estudantes em cursos de graduação e 1.300 alunos em pós-graduação. Na primeira, a anuidade tem um custo aproximado de U$ 58 mil – se considerarmos todos os gastos.   Já a anuidade de um MBA pode chegar a U$ 99 mil – também considerando todos os gastos.

A missão do Babson College é ser uma instituição proeminente de empreendedorismo para o mundo, através da ação, da geração de valor econômico e da criação de valores sociais.  Babson quer, assim, formar líderes empreendedores capazes de criar novos valores econômicos e sociais.

Atualmente a instituição conta com pessoas de 47 países diferentes e 30 estados dos Estados Unidos e que foi responsável pela formação de mais de 35 mil pessoas de diversos lugares do mundo. Babson declara que valoriza a diversidade cultural, a criatividade, o trabalho colaborativo, a inovação e a excelência acadêmica.

Nos rankings que avaliam as melhores IES com foco em empreendedorismo, Babson College está em uma posição de destaque em relação aos cursos de graduação que oferece. É a número 1 no ranking da U.S. News & World Reports, além de ser destaque pelo Financial Times, Bloomberg Businees Week e Wall Street Journal, quando o assunto é MBA sobre empreendedorismo.

A leitura de seu plano estratégico revisado em 2011 indica que o desenho curricular deve privilegiar a ação, a interdisciplinaridade, a experiência como forma de aprendizado e a interação com o mundo real. O Babson College declara que busca formar pessoas capazes de mudar o mundo.

Portanto, o SEMESP acerta ao convidar o professor Joel Shulman, do Babson College, que irá participar da mesa de discussão com Flávia Feitosa e que traz como tema central do debate “Será que temos a perspectiva de que é possível transformar as nossas IES em instituições empreendedoras? Quais são os caminhos para implantar a cultura empreendedora?”.

Os participantes do 14o. FNESP terão a oportunidade de conhecer duas experiências de sucesso: SENAC e Babson College. No caso de Babson, a instituição percorreu o caminho de transformar o universo acadêmico em pró de uma realidade inovadora na formação de pessoas. A IES transformou intenção em realidade. A cultura empreendedora deve estar nos gestores, professores e colaboradores.

Max Gehringer no 14º FNESP

O 14º FNESP contará com a presença de um especialista em empreendedorismo, Max Gehringer, comentarista do Fantástico, na TV Globo, e da Rádio CBN. Autor de diversos livros e com experiência como presidente de empresas de grande porte, Gehringer abordará o tema “Como uma IES pode formar empreendedores para o mercado de trabalho?”, durante a 7ª sessão do evento.

Tendo como tema central “Empreendedorismo e Inovação no Ensino Superior”, o 14º Fórum Nacional de Ensino Superior Particular Brasileiro (FNESP) vai reunir nos dias 20 e 21 de setembro, em São Paulo, especialistas nacionais e internacionais para debater a gestão e o ensino das IES.

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